WestLB: Prod. Industrial confirma menor ritmo de expansão da economia
Fonte: Agência Estado
Os dados divulgados hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre a produção industrial de maio confirmam o processo de acomodação do crescimento da economia nacional no segundo trimestre em relação aos primeiros três meses do ano, quando o ritmo de expansão mostrava taxas bastante significativas. A avaliação é do estrategista-chefe do Banco WestLB, Roberto Padovani, que, em sintonia com a maioria esmagadora do mercado financeiro, foi surpreendido pelos números da Pesquisa Industrial Mensal (PIM) de maio.
De acordo com o levantamento do IBGE, a produção industrial do quinto mês do ano apresentou variação zero ante abril, na série com ajuste sazonal. O resultado veio bem abaixo do piso das estimativas de crescimento feitas por analistas ouvidos pelo AE Projeções, de 0,95% a 2,50%, com mediana de 1,50%. Na comparação com maio do ano passado, a produção da indústria aumentou 14,8%. Nesse confronto, as expectativas variavam de 16,70% a 20%, com mediana de 17,70%.
Padovani, que não havia participado do levantamento do AE Projeções, também aguardava resultados maiores do que os anunciados pelo IBGE: expansões de 1,50% na margem e de 17,5% na comparação com maio de 2009. "A impressão que tenho é que assistimos, no segundo trimestre, a um processo de mudança de ritmo de crescimento. A economia brasileira continua se expandindo acima do potencial, mas o ritmo não é aquele no primeiro trimestre", comentou.
Para ele, isso não é algo exclusivo do Brasil, mas "do mundo todo", já que a razão principal para um crescimento em ritmo menor, segundo o estrategista, é a retirada de incentivos fiscais e monetários que haviam sido dados em diversos países para aliviar os efeitos da crise financeira global iniciada no final de 2008. "Olhando no nosso caso, por exemplo, começamos a ver a retirada dos incentivos fiscais e monetários há algum tempo", disse. "O próprio Banco Central está elevando a taxa de juros e retirando a liquidez. A combinação destes eventos todos implica ainda numa economia bastante aquecida, mas em um ritmo menor", explicou.
Padovani também citou como fator importante para a mudança dos cenários do primeiro e do segundo trimestre a antecipação constatada do consumo no País nos primeiros três meses do ano. "Isso aconteceu justamente pela perspectiva do fim dos incentivos", recordou.
Questionado se o resultado de hoje da produção industrial de maio teria sido capaz de provocar mudanças nas suas estimativas para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), o estrategista-chefe do WestLB respondeu que já estava trabalhando com uma projeção abaixo da maioria do mercado financeiro.
Enquanto a mais recente pesquisa Focus do Banco Central mostra que a mediana das projeções de expansão para o PIB do segundo trimestre está em 7,13%, Padovani trabalha com uma expectativa de crescimento de 6,50%. "Para o PIB do segundo trimestre, acredito num crescimento bem menor que o verificado no primeiro trimestre (de 2,70%). Para o dado dessazonalizado, estou com uma previsão de crescimento de 0,5%, na comparação com o trimestre anterior. E acredito que o próprio dado do primeiro trimestre será revisto para baixo", adiantou.
Quanto aos juros, o estrategista-chefe do WestLB disse não acreditar numa mudança no cenário aguardado pelo mercado financeiro para o ciclo de ajustes na Selic que o Banco Central vem promovendo desde abril. "Esse número de hoje confirma o recado que o BC deu ontem (no Relatório de Inflação) e não tem a força para mudar a estratégia dele", disse, citando a alta de 0,75 ponto porcentual como a mais provável, por exemplo, para a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) em julho.
