Copom deve reduzir Selic em 0,50 ponto percentual, para 10,50% ao ano
A previsão é de Luciano Rostagno, estrategista-chefe do Banco WestLB do Brasil.
O Comitê de Política Monetária (Copom) reúne-se esta semana para decidir sobre a taxa básica de juros da economia. A nossa expectativa é de que a taxa Selic seja novamente reduzida em 0,50 ponto percentual, para 10,50% ao ano. A continuidade do ciclo de afrouxamento monetário deve encontrar respaldo no ambiente externo, no qual ainda predomina elevado grau de incerteza, e, também, no movimento cadente da inflação doméstica.
Recentemente, temos visto uma melhora marginal nas condições dos mercados financeiros internacionais em virtude, principalmente, dos esforços das autoridades europeias em reestabelecer a confiança dos investores na região. Neste sentido, vale destacar o papel de emprestador de última instância assumido pelo Banco Central Europeu, que contribuiu para reduzir as preocupações em relação a uma possível ruptura. Além disto, dados econômicos americanos têm apontado para uma melhora gradual no nível de atividade da maior economia do planeta, enquanto a economia da China sinaliza um pouso suave do gigante asiático.
Apesar disso, o cenário externo ainda demanda cautela por parte da autoridade monetária brasileira, pois pode sofrer uma reversão a qualquer momento, uma vez que o sistema financeiro internacional continua frágil. Desta forma, ainda que certo otimismo esteja prevalecendo nos mercados internacionais neste começo de ano, a magnitude e a extensão dos efeitos da crise externa sobre a economia doméstica permanecem incertos.
No âmbito doméstico, a trajetória cadente da inflação deve manter a autoridade monetária confiante para dar prosseguimento ao ciclo de afrouxamento monetário. Apesar de a inflação ainda se encontrar sensivelmente acima do centro da meta, houve reversão da sua tendência, reduzindo o risco desta sair do controle. Adicionalmente, vemos o Banco Central priorizando o crescimento econômico em detrimento a um maior controle da inflação no atual ambiente de incerteza.
Finalmente, vale ressaltar as indicações oferecidas pelo governo de que pretende continuar dando maior ênfase à utilização da política monetária em relação à política fiscal para combater os efeitos da crise externa. Com o objetivo de permitir que a taxa básica de juros alcance o patamar de um dígito este ano, avaliamos que a política econômica deve se voltar para novas reduções no orçamento governamental.
